terça-feira, 29 de junho de 2010

JORNAL DA SANTA SÉ INAUGURA COLUNA ESPORTIVA COM EX-JOGADOR RIVERA

Cidade do Vaticano, 29 jun (RV) – "Se o DNA tem pouca criatividade." Com este título, o ex-jogador Gianni Rivera, primeiro italiano a vencer a Bola de Ouro em 1969, inaugurou sua colaboração com o jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano.

O artigo analisa algumas peculiaridades da Copa do Mundo na África do Sul, destacando dois elementos: o fim da era dos times "fregueses", representada pelas seleções asiáticas e africanas, e a primazia do físico sobre a técnica.

Para Rivera, esta Copa testemunha que no futebol "o DNA se modifica em continuação", pois o jogo dos últimos anos se tornou mais muscular, reforçando a parte física para substituir a habilidade individual. "Os times de hoje não apresentam diferenças, parecem uma a cópia da outra" – escreve.

A conseqüência disso é que a criatividade e os lances refinados estão diminuindo, e os estilos que caracterizavam cada região vão se diluindo.

Todavia, conclui Rivera, saudosismos não têm vez, e frases como "na minha época era muito melhor" não fazem sentido. É impossível voltar atrás, "as épocas se abrem e se fecham", e não é possível prever as mudanças que o futebol sofrerá no futuro. (BF)

A Arte e Cultura na Formação da Moral


Por: Gerson Abarca


Sigmund Freud nos conduziu a entendermos o processo de sublimação para a elaboração da estrutura egóica do indivíduo. A transitoriedade entre amor e ódio, vida e morte é um processo que necessita de elementos intermediários para que as energias psíquicas envolvidas neste processo possam ter suas válvulas de escape. É o que acontece quando praticamos um esporte coletivo, descarregamos raivas e ódios que reprimimos na convivência civilizatória, porque nos conduzimos por regras. Por isto é muito comum choques físicos entre atletas, torcidas raivosas, etc.

Estes dias, levando meus filhos ao estádio de futebol, o menor Helder ficou tentando controlar os torcedores ao seu redor para que não falassem palavrões. Ele ficava gritando que não podia, que era feio xingar. Até que tive que explicar para ele, que no estádio as pessoas xingavam para torcer, mas no fundo não queriam dizer aqueles palavrões. (Tentei moralizar).

A educação moral que melhor pode trazer resultados é aquele no qual potencializamos ações educacionais onde as crianças consigam construir a capacidade moral própria, onde consiga por ela mesma manusear seu código moral adquirido na sua história e cultura de época. Para que esta condição encontre terreno fértil, a criatividade é um grande recurso. Despertar a criatividade é um excelente recurso para levar uma criança a aprender a sair de situações difíceis e utilizar seus valores adquiridos quando necessário.

A criatividade encontra na produção cultural e nas artes a estrutura para sua mais ampla potencialização.

Assim, as cidades, as comunidades, as famílias precisam focar-se na produção de cultura, no aprendizado das artes: música, dança, teatro e artesanato. Pelas artes conseguimos transformar coisas brutas e finas.

Já tive boas experiências de trabalhar a psicologia com a produção de teatro. Junto com o teatrólogo Oscar Ferreira pude ver uma idéia se transformar em um texto e virar peça teatral, para encerrar-se em aplausos, êxtase. Uma condução artística é uma trajetória do nada para o tudo; como a trajetória de um bebê (um ser frágil) para um adulto, capaz de produzir, de amar.

Não fazemos bebês, como artistas fazem uma tela. Mas pelas artes, aprendemos a moldar. Modelamos nossos bebês, para que se tornem adultos maravilhosos.

Assim, ambientes que possuem a capacidade de conviver com a produção artística e cultural e que cultivam culturas e as preservam, tendem a potencializar pessoas com maior sensibilidade para dialogar nas diferenças, para construir com o outro e outras culturas processos civilizatórios. A arte e a cultura para o ser humano são como o mangue para o mar. Este se alimenta e respira por causa do mangue; os seres humanos tornam-se sublimes pela capacidade de sublimar (colocar em estado sublime). Se estou com ódio ou nervoso, nada melhor que uma boa música para relaxar; ou uma boa piada para descontrair.

A comunhão com Pedro e seus sucessores é a garantia de liberdade


Na primeira Leitura, é narrado um episódio que mostra a intervenção específica do Senhor para libertar Pedro da prisão; na segunda, Paulo, com base em sua extraordinária experiência apostólica, afirma estar convencido de que o Senhor, que já o havia livrado “da boca do leão”, o livrará de “todo o mal”, abrindo-lhe as portas do Céu; no Evangelho, ao contrário, não se fala mais dos Apóstolos individualmente, mas da Igreja no seu conjunto e da sua proteção com relação às forças do mal, entendida em sentido amplo e profundo. Desse modo, vemos que a promessa de Jesus – “as forças do inferno não prevalecerão” sobre a Igreja – compreende, sim, as experiências históricas de perseguição sofridas por Pedro e Paulo e outras testemunhas do Evangelho, mas vai além, desejando assegurar a proteção sobretudo contra as ameaças de ordem espiritual; segundo o que Paulo escreve na Carta aos Efésios: “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Ef 6, 12).

Com efeito, se pensamos nos dois milênios de história da Igreja, podemos observar que – como havia prenunciado o Senhor Jesus (cf. Mt 10, 16-33) - nunca faltaram para os cristãos as provações, que em alguns períodos e lugares assumiram o caráter de verdadeiras e próprias perseguições. Essas, no entanto, apesar do sofrimento que provocam, não constituem o perigo mais grave para a Igreja. O dano maior, de fato, provém daquilo que polui a fé e a vida cristã dos seus membros e das suas comunidades, afetando a integridade do Corpo Místico, enfraquecendo a sua capacidade de profecia e testemunho, manchando a beleza de seu rosto. Essa realidade é atestada já no epistolário [cartas] paulino. A Primeira Carta aos Coríntios, por exemplo, responde exatamente a alguns problemas de divisões, incoerências, infidelidade ao Evangelho, que ameaçam seriamente a Igreja. Mas também a Segunda Carta a Timóteo – da qual ouvimos uma parte – fala sobre os perigos dos “últimos tempos”, identificando-os com atitudes negativas que pertencem ao mundo e podem contagiar a comunidade cristã: egoísmo, vaidade, orgulho, apego ao dinheiro, etc. (cf. 3, 1-5). A conclusão do Apóstolo é reconfortante: os homens que fazem o mal – escreve – “não irão longe, porque será manifesta a todos a sua insensatez” (3, 9). Existe, portanto, uma garantia de liberdade assegurada por Deus à Igreja, liberdade seja dos laços materiais que procuram impedir ou coagir a missão, seja dos males espirituais e morais, que podem afetar a autenticidade e credibilidade.

O tema da liberdade da Igreja, garantida por Cristo a Pedro, tem também uma relevância específica para o rito da imposição do pálio, que hoje renovamos para trinta e oito Arcebispos Metropolitanos, aos quais dirijo a minha mais cordial saudação, estendendo-a com afeto àqueles que quiseram acompanhá-los nesta peregrinação. A comunhão com Pedro e seus sucessores, de fato, é garantia de liberdade para os pastores da Igreja e para a própria Comunidade a eles confiada. E isso em ambos os planos destacados nas reflexões precedentes. No plano histórico, a união com a Sé Apostólica assegura às Igrejas particulares e às Conferências Episcopais a liberdade com relação aos poderes locais, nacionais ou supranacionais, que podem, em certos casos, obstaculizar a missão da Igreja. Além disso, e mais essencialmente, o ministério petrino é garantia de liberdade no sentido da plena adesão à verdade, à autêntica tradição, de tal forma que o Povo de Deus seja preservado de erros concernentes à fé e à moral. Daí que o fato de, todo o ano, os novos Metropolitanos virem a Roma para receber o Pálio das mãos do Papa deva ser compreendido no seu significado próprio, como gesto de comunhão, e o tema da liberdade da Igreja nos oferece uma chave de leitura particularmente importante. Isso aparece de modo evidente no caso das Igrejas marcadas pela perseguição, ou sujeitas a interferências políticas ou outras duras provações. Mas isso não é menos relevante no caso de Comunidades que padecem a influência de doutrinas enganadoras, ou de tendências ideológicas e práticas contrárias ao Evangelho. O pálio, assim, torna-se, neste sentido, um compromisso de liberdade, analogamente ao “jugo” de Jesus, que Ele convida a tomar, cada um sobre seus próprios ombros (cf. Mt 11, 29-30). Como o mandamento de Cristo – embora exigente – é “doce e leve” e, ao invés de pesar sobre quem o leva, o levanta, assim o vínculo com a Sé Apostólica – embora desafiador – sustenta o Pastor e a porção da Igreja confiada aos seus cuidados, tornando-lhes mais livres e mais fortes.

(Excerto da Homilia do Papa na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, 29 de junho de 2010)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Católicos voltem pra casa

video


Um vídeo muito interessante para nossos irmãos afastados da verdadeira Fé, rogo a Deus para que os protestantes voltem ao seio da verdadeira igreja que o propio Cristo fez questão de fundar instituindo São Pedro como o primeiro papa, confiando a ele todos os poderes de pontifice entre o céu e a terra. Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,18-19).

Papa se solidariza com bispos belgas


Após a desproporcional inspeção ao arcebispado e à catedral de Mechelen-Bruxelas

CIDADE DO VATICANO, domingo, 27 de junho de 2010 (ZENIT.org) - Bento XVI enviou hoje uma mensagem de solidariedade ao arcebispo de Mechelen-Bruxelas, Dom André Joseph Léonard, após a brutal inspeção das autoridades belgas ao arcebispado e à catedral da diocese primaz belga na última quinta-feira, dentro de uma investigação por abusos sexuais por parte do clero.

O Papa expressou a todos os bispos da Bélgica sua "proximidade" e "solidariedade neste momento de tristeza, no qual, com certas maneiras surpreendentes e deploráveis, foram realizadas as investigações inclusive na catedral e Mechelen e nos locais onde o episcopado belga estava reunido em sessão plenária".

Em sua mensagem, o Pontífice recordou que, durante essa reunião interrompida pelas autoridades, "seriam tratados, entre outros, aspectos relacionados ao abuso de menores por parte de membros do clero".

Também pediu respeito à autonomia da ordem canônica, destacando: "Eu mesmo repeti em diversas ocasiões que estes graves fatos devem ser tratados pela ordem civil e pela ordem canônica, no respeito recíproco da especificidade e da autonomia de cada um".

"Neste sentido - continuou -, desejo que a justiça siga seu curso garantindo o direito das pessoas e das instituições, no respeito às vítimas, no reconhecimento sem preconceitos dos que se comprometem a colaborar com ela e na rejeição de tudo o que puder obscurecer os nobres deveres que lhe são designados."

Bento XVI concluiu sua mensagem garantindo que acompanha "cada dia, na oração, o caminho da Igreja na Bélgica" e enviou a Dom Léonard "uma cordial bênção apostólica".

A Secretaria de Estado da Santa Sé já havia expressado seu "vivo estupor" pela maneira como a justiça belga levou a cabo algumas investigações (cf. Zenit, 25 de junho de 2010).

Entre outras coisas, manifestou sua indignação pela irrespeitosa inspeção feita no arcebispado e na catedral de Mechelen-Bruxelas na última quinta-feira, que incluiu a profanação de dois túmulos de antigos bispos da diocese.

domingo, 27 de junho de 2010

O que descobri quando participei pela primeira vez da Missa




Scott Hahn


Ali estava eu, incógnito, um ministro protestante à paisana, esgueirando-me nos fundos de uma capela em Milwaukee para participar pela primeira vez da missa. A curiosidade me arrastara até lá e eu ainda não tinha certeza de que fosse uma curiosidade saudável. Ao estudar os escritos dos primeiros cristãos, encontrei inúmeras referências à “liturgia”, à “Eucaristia”, ao “sacrifício”. Para aqueles primeiros cristãos, separada do acontecimento que os católicos de hoje denominam “missa”, a Bíblia – o livro que eu mais amava – era incompreensível.

Eu queria entender os cristãos primeiros, mas não tinha nenhuma experiência de liturgia. Por isso, persuadi a mim mesmo a ir ver, como uma espécie de exercício acadêmico, mas jurando o tempo todo que não ia me ajoelhar nem participar de idolatria.

Sentei-me na obscuridade, em um banco bem no fundo daquela capela no subsolo. À minha frente havia um número considerável de fiéis, homens e mulheres de todas as idades. Impressionaram-me suas reflexões e sua evidente concentração na oração. Então um sino soou e todos se levantaram quando o padre surgiu de uma porta ao lado do altar. Hesitante, permaneci sentado. Durante anos, como calvinista evangélico, fui instruído para acreditar que a missa era o maior sacrilégio que alguém poderia cometer. Tinha aprendido que a missa era um ritual com o propósito de “sacrificar Jesus Cristo outra vez”. Por isso, eu seria um espectador, ficaria sentado, com a Bíblia aberta ao meu lado.

Entretanto, è medida que a missa prosseguia, alguma coisa me tocou. A Bíblia não estava só ao meu lado. Estava diante de mim – nas palavras da missa! Um versículo era de Isaías, outro dos Salmos, outro de Paulo. A experiência era prodigiosa. Eu queria interromper tudo e gritar: “Ei! Posso explicar o que está acontecendo a partir das Escrituras? Isso é maravilhoso!” Não obstante, mantive minha posição de espectador à parte até que ouvi o sacerdote pronunciar as palavras da consagração: “Isto é o meu corpo... Este é o cálice do meu sangue”.

Eu senti todas as minhas dúvidas se esvaírem. Quando vi o sacerdote elevar aquela hóstia branca, percebi que uma prece subiu de meu coração em um sussurro: “Meu Senhor e meu Deus. Sois realmente vós!”

A partir daquele ponto, fiquei, por assim dizer, tolhido. Não imaginava uma emoção maior que a que aquelas palavras provocaram em mim. Porém a experiência intensificou-se um momento depois, quando ouvi a congregação repetir: “Cordeiro de Deus... Cordeiro de Deus... Cordeiro de Deus”, e o sacerdote responder: “Eis o Cordeiro de Deus...”, enquanto elevava a hóstia.

Em menos de um minuto a frase “Cordeiro de Deus” ressoou quatro vezes. Graças a longos anos de estudos bíblicos, percebi imediatamente onde eu estava. Estava no livro do Apocalipse, no qual Jesus é chamado Cordeiro nada menos que vinte e oito vezes em vinte e dois capítulos. Estava na festa de núpcias que João descreve no final do último livro da Bíblia. Estava diante do trono do céu, onde Jesus é saudado para sempre como o Cordeiro. Entretanto, não estava preparado para isso – eu estava na missa!

Voltei à missa no dia seguinte e no outro dia e no outro. Cada vez que voltava, eu “descobria” mais passagens das Escrituras consumadas diante dos meus olhos. Contudo, naquela capela escura, nenhum livro me era tão visível quanto o da revelação de Jesus Cristo, o Apocalipse, que descreve a adoração dos anjos e santos do céu. Como nesse livro, vi, naquela capela, sacerdotes paramentados, um altar, uma assembléia que entoava: “santo, santo, santo”. Vi a fumaça de incenso, ouvi a invocação de anjos e santos; eu mesmo entoava os aleluias, pois me sentia cada vez mais atraído a essa adoração. Continuei a me sentar no último banco com minha Bíblia e mal sabia para onde me voltar – para a ação no Apocalipse ou para a ação no altar, que pareciam cada vez mais ser exatamente a mesma.

Mergulhei com vigor renovado em meu estudo do cristianismo antigo e descobri que os primeiros bispos, os Padres da Igreja, tinham feito a mesma “descoberta” que eu fazia a cada manhã. Eles consideravam o livro do Apocalipse a chave da liturgia e a liturgia a chave do livro do Apocalipse. Alguma coisa intensa aconteceu com o estudioso e crente que eu era. O livro da Bíblia que eu achava mais desconcertante – o do Apocalipse – agora elucidava as idéias mais fundamentais de minha fé: a idéia da aliança como elo sagrado da família de Deus. Além disso, a ação que eu considerava a maior das blasfêmias – a missa – agora se revelava o acontecimento que ratificou a aliança de Deus: “Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança”.

Eu estava aturdido com a novidade de tudo aquilo. Durante anos tentei compreender o livro do Apocalipse como uma espécie de mensagem codificada a respeito do fim do mundo, a respeito do culto no céu distante, a respeito de algo que, em sua maioria, os cristãos não poderiam experimentar aqui na terra. Agora, depois de duas semanas de comparecimento diário à missa, eu me via querendo levantar durante a liturgia e dizer: “Ei, pessoal. Quero lhes mostrar onde vocês estão no livro do Apocalipse! Consultem o capítulo 4, versículo 8. Agora mesmo vocês estão no céu”.
No céu agora mesmo! Os Padres da Igreja mostraram que essa descoberta não era minha. Pregaram a respeito há mais de mil anos. Entretanto, eu estava convencido de que merecia o crédito pela redescoberta da relação entre a missa e o livro do Apocalipse. Então descobri que o Concílio Vaticano II tinha me passado para trás. Reflita nestas palavras da Constituição sobre a Sagrada Liturgia:

Na liturgia terrena, antegozando, participamos da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos. Lá, Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do tabernáculo verdadeiro; com toda a milícia do exército celestial entoamos um hino de glória ao Senhor e, venerando a memória dos Santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; suspiramos pelo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até que ele, nossa vida, se manifeste, e nós apareçamos com ele na glória.

Espere um pouco. Isso é céu. Não, isso é a missa. Não, é o livro do Apocalipse. Espere um pouco: isso é tudo o que está acima.

Esforcei-me bastante para ir devagar, cautelosamente, com o cuidado de evitar os perigos aos quais os convertidos são suscetíveis, pois eu estava depressa me convertendo à fé católica. Contudo, essa descoberta não era produto de uma imaginação superexcitada; era o ensinamento solene de um concílio da Igreja Católica. Com o tempo, descobri que era também a conclusão inevitável dos estudiosos protestantes mais rigorosos e honestos. Um deles, Leonard Thompson, escreveu que “até mesmo uma leitura superficial do livro do Apocalipse mostra a presença da linguagem litúrgica disposta em forma de culto... A linguagem de culto desempenha importante papel na coerência do livro”. Bastam as imagens da liturgia para tornar esse extraordinário livro compreensível. As figuras litúrgicas são essenciais para sua mensagem, escreve Thompson, e revelam “algo mais que visões de ‘coisas que estão por vir’”.

O livro do Apocalipse tratava de Alguém que estava por vir. Tratava de Jesus Cristo e sua “segunda vinda”, a forma como, em geral, os cristãos traduziram a palavra grega parousia. Depois de passar horas e horas naquela capela de Milwaukee, em 1985, aprendi que aquele Alguém era o mesmo Jesus Cristo que o sacerdote católico erguia na hóstia. Se os cristãos primitivos estavam certos, eu sabia que, naquele exato momento, o céu tocava a terra. “Meu Senhor e meu Deus. Sois realmente vós!”.

Scott Hahn, O Banquete do Cordeiro, A missa segundo um convertido, Pgs 21-25. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Deus proíbe o consumo de bebidas alcoólicas?



Por Alessandro Lima

Depois do surgimento do Protestantismo histórico (Luteranismo, Presbiterianismo e Anglicanismo), as denominações protestantes que surgiram após, começaram a pregar que consumir bebidas alcoólicas é pecado, pois não agrada a Deus.

Devemos ter sempre em mente que na Revelação de Deus, o certo e o errado não está associado a um objeto em si, mas sim ao uso que fazemos dele. Devemos dispor de todas as coisas criadas (seja pelo homem ou por Deus) para a Glória Dele. Sobre isso São Paulo ensinou que "todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm" (cf. 1 Cor 6,12; ver também 1Cor 10,23).

Desta forma, o consumo de bebidas alcoólicas deve obedecer este mesmo principio. Pretendemos mostrar o que Bíblia ensina sobre esta matéria.

Orientações divinas sobre uso de bebidas fermentadas na liturgia e na vida dos judeus

Talvez a primeira orientação que encontramos na Bíblia sobre o uso de bebidas fermentadas seja no livro de Números, onde lemos: "O Senhor disse a Moisés: Dirás aos israelitas o seguinte: quando um homem ou uma mulher fizer o voto de nazireu [nazareno], separando-se para se consagrar ao Senhor, abster-se-á de vinho e de bebida inebriante: não beberá vinagre de vinho, nem vinagre de uma outra bebida inebriante; não beberá suco de uva, não comerá nem uvas frescas, nem uvas secas" (grifos meus) (Num 6,1-3). Aqui está claro que o vinho que o narizeu deverá se abster é o vinho fermentado ou "outra bebida inebriante".

Aqui Deus ordena que aqueles que fizerem votos de narizeu deverão se abster de vinho ou de qualquer "outra bebida inebriante". Entretanto, em determinada situação, o consumo de "bebida inebriante" é permitida a estas pessoas, conforme lemos: "O sacerdote os agitará diante do Senhor: é uma coisa santa que pertence ao sacerdote, como também o peito agitado e a coxa oferecida. Somente depois disso o nazireu poderá beber vinho" (Num 6,20).

Ora se o consumo de vinho fermentado ou "outra bebida inebriante" fosse proibida por Deus, Ele não daria uma ordem a Moisés permitindo este consumo ao narizeu já consagrado.

No livro do Profeta Ezequiel há uma outra restrição do Senhor quanto a vinho: "Nenhum sacerdote beberá vinho quando tiver de penetrar no átrio interior" (Ez 44,21; ver também Lv 10,9 e Deut 29,6). Esta proibição é da mesma natureza da que encontramos em Num 6,1-3. Há momento em que aqueles que foram consagrados ou trabalham no serviço ao Senhor, devem se abster dos prazeres da vida, para que melhor prepararem seu espírito para Deus. Entretanto, esta restrição é momentânea, ocasional e não eterna. Da mesma forma que o Senhor manda os sacerdotes se absterem de vinho para penetrar no átrio interior (lugar conhecido como Santo dos Santos, onde Deus estava presente). Quando Deus proíbe o consumo de vinho e ou o permite, estabelece sempre uma relação com as coisas boas da vida, as quais o usufruto deve estar orientado para a Sua Glória.

Esta divina relação é demonstrada também de outra forma, por exemplo, quando o usufruto das coisas materiais nos é concedido como recompensa do nosso trabalho. Vejamos: "Comprarás ali com esse dinheiro tudo o que te aprouver, bois, ovelhas, vinho, bebidas fermentadas, tudo o que desejares, e comerás tudo isso em presença do Senhor, teu Deus, alegrando-te com tua família" (grifos meus) (Deut 14,26). Ver também Salmo 103,14-15; Is 62,9.

A dignidade do vinho fermentado sempre foi algo tão evidente, que seu uso foi autorizado pelo próprio Deus no trabalho dos sacerdotes no templo, na execução dos sacrifícios, vejamos: "A libação será de um quarto de hin para cada cordeiro; é no santuário que farás ao Senhor a libação [sacrifício] de vinho fermentado" (grifos meus) (Num 28,7).

Em Daniel 5, o Rei Baltazar manda pegar o vinho que está no templo para uma festa. A Sagrada Escritura testemunha que todos já estavam bêbados quando o Rei dá esta ordem. É claro que o objetivo era continuar a farra; e o pedido do Rei não faria sentido se o vinho que estivesse sendo usado no templo não fosse fermentado. E como já vimos em Num 28,7, por uma ordenança divina, o vinho era mesmo fermentado.

A questão da Embriaguez

A embriaguez é uma alteração do estado de consciência devido a um aumento do volume de álcool no sangue, remetendo a um aumento do volume de álcool no cérebro (causa da embriaguez).

A primeira referência que encontramos na Bíblia sobre a embriaguez está em Gn 9,21 onde lemos: "[Noé] Tendo bebido vinho, embriagou-se, e apareceu nu no meio de sua tenda". Nota-se aqui que o vinho que Noé bebeu era vinho fermentado, caso contrário não teria se embriagado.

Interessante notar que a embriaguez de Noé não é condenada na Sagrada Escritura, ao contrário da atitude de seu filho Cam que é amaldiçoado por expor a nudez de seu pai aos seus irmãos (cf. Gn 9,22-26).

A embriaguez de Ló também não é reprovada, embora tenha sido planejada por suas filhas para que pudessem manter relações sexuais com seu pai (cf. Gn 19,33-34). Nem mesmo a atitude delas é reprovada, já que suas intenções não eram praticar pederastia com o pai, mas unicamente garantir-lhes uma posteridade; já tendo em vista a destruição da cidade onde moravam (cf. Gn 19,29), se estabeleceram em Segor (cf. Gn 19,30). Ló já era velho e na região não havia varões que pudessem coabitar com as moças (cf. Gn 19,31).

Esta alteração da consciência (embriaguez) causada por "bebida inebriante" ou fermentada, é mencionada na Sagrada Escritura como uma "alegria". Vejamos alguns exemplos:

"No sétimo dia, o rei cujo coração estava alegre pelo vinho, ordenou a Mauman, Bazata, Harbona, Bagata, Abgata, Zetar e Carcar - os sete eunucos a serviço, junto de Assuero" (grifos meus) (Ester 1,10).

"Fazeis brotar a relva para o gado, e plantas úteis ao homem, para que da terra possa extrair o pão e o vinho que alegra o coração do homem, o óleo que lhe faz brilhar o rosto e o pão que lhe sustenta as forças" (grifos meus) (Salmo 103,14-15).

"Faz-se festa para se divertir; o vinho alegra a vida, e o dinheiro serve para tudo" (Ecl 10,19).

"Ora, Absalão dera aos seus criados a ordem seguinte: Ouvi! Quando Amnon tiver o coração alegre por causa do vinho, e eu vos disser: Feri Amnon!, então vós o matareis; não tenhais medo, porque sou eu quem vo-lo ordena. Coragem, e sede homens fortes!" (grifos meus) (2 Sam 13,28).

"Arrasta-me após ti; corramos! O rei introduziu-me nos seus aposentos. Exultaremos de alegria e de júbilo em ti. Tuas carícias nos inebriarão mais que o vinho. Quanta razão há de te amar!" (grifos meus) (Ct 1,4).

Se que alguém está pensando que a Sagrada Escritura incentiva a embriaguez, devo dizer que está redondamente enganado. A embriaguez que "alegra" o coração (no dizer das Sagradas Letras) não deve ser confundida com àquela que fomenta a desgraça. A primeira é resultado de um consumo ordenado e moderado, enquanto a segunda é resultado do excesso da liberdade que Deus nos concedeu. A primeira não é pecado, enquanto a segunda sim. Vejamos:

"Não é um pouco de vinho suficiente para um homem bem-educado? Assim não terás sono pesado, e não sentirás dor" (Eclo 31,22).

"O vinho bebido sobriamente é como uma vida para os homens. Se o beberes moderadamente, serás sóbrio" (Eclo 31,32).

"O vinho, bebido moderadamente, é a alegria da alma e do coração" (Eclo 31,36).

O consumo de bebida fermentada, que não seja para a "alegria" do coração, é fortemente condenada na Sagrada Escritura, vejamos:

"Mas também estes titubeiam sob o efeito do vinho, alucinados pela bebida; sacerdotes e profetas cambaleiam na bebedeira. Estão afogados no vinho, desnorteados pela bebida, perturbados em sua visão, vacilando em seus juízos" (Is 28,7).

Interessante passagem do Profeta Isaías. Se o consumo de vinho fermentado fosse proibido por Deus (e já vimos que não é o caso), jamais os "sacerdotes e profetas" cambaleariam "na bebedeira", pois nem sequer o experimentariam. No entanto, o abuso da liberdade que Deus nos concede é o berço de grandes males (cf. Is 5,12; Is 5,22; Eclo 19,2; Eclo 31,30; Prov 31).

"Pasmai-vos e maravilhai-vos, obstinai-vos, feridos de cegueira, embriagai-vos, mas não de vinho, cambaleai, mas não por causa da bebida" (Is 29,9).

"Ai daqueles que desde a manhã procuram a bebida, e que se retardam à noite nas excitações do vinho!" (Is 5,11).

"O operário dado ao vinho não se enriquecerá, e aquele que se descuida das pequenas coisas, cairá pouco a pouco" (Eclo 19,1).

"Zombeteiro é o vinho e amotinadora a cerveja: quem quer que se apegue a isto não será sábio" (Prov 20,1).

"O que ama os banquetes será um homem indigente; o que ama o vinho e o óleo não se enriquecerá" (Prov 21,17).

Que tipo de vinho foi usado por Jesus e os Apóstolos?

Na Sagrada Escritura várias palavras são utilizadas para fazer referência ao vinho, cada uma refere-se a um tipo de vinho diferente (seja no grego ou no hebraico).

A primeira classe de vinho refere-se um vinho mais forte. As palavras "sikera" (grego, cf. Lc 1,15) e "shêkar" (hebraico, cf. Prov 20,1; Is 5,1) referem-se a isto, e normalmente são traduzidas por "sidra" ou "bebida forte", devido ao elevado teor alcoólico que este tipo de vinho possuía.

A segunda classe refere-se a um vinho novo mais adocicado. Palavras como "gleukos" (grego) e "tirôsh" (hebraico, cf. Prov 3,10; Os 9,2; Jl 1,10), aludem a este tipo de vinho. Em At 2,13 os Apóstolos foram acusados de estarem embriagados dele, por causa da ação do Espírito Santo sobre eles.

A terceira classe é mencionada com maior freqüência tanto no AT quanto no NT. A palavra hebraica para este vinho é "yayin", que tem em sua raiz o significado de borbulhar, espumar ou ferver. A palavra referente no grego é "oinos", que em seu sentido mais geral refere-se simplesmente ao suco de uva.

Normalmente a literatura judaica indica que o "yayin" é um vinho misturado. Normalmente é referenciado como um xarope grosso (produzido através do suco de uva fervido) misturado com água (cf. Sl 75,8; Prov 23,30), de baixo teor alcoólico. Embora em menor freqüência, pode também corresponder a um licor obtido pela fermentação.

A Mishná Judaica que é a antiga coleção escrita de interpretações orais da lei mosaica e antecederam o Talmud, declara que os judeus utilizavam com certa regularidade o vinho fervido, ou seja, o suco de uva reduzido a uma consistência grossa mediante a ação do calor. Esta descrição corresponde à terceira classe de vinho.

A palavra grega "oinos" portanto pode fazer referência tanto ao suco de uva, quanto ao vinho de baixo teor alcoólico.

Algumas pessoas afirmam que o vinho resultado do milagre de Jesus nas bodas de Cana da Galiléia não era alcoólico ("oinos" como suco de uva). Este tipo de afirmação fundamenta-se na doutrina humana de que Deus proíbe o consumo de bebidas alcoólicas. De qualquer forma o milagre da transformação da água em vinho merece uma análise mais profunda.

Conforme vimos, o vinho fermentado era usado no templo para o oferecimento do sacrifício a Deus (cf. Num 28,7), seu consumo era tido como um prêmio resultado do trabalho (cf. Deut 14,26). Por esta razão, era tido em alta estima entre o povo Judeu, onde seu uso foi estendido às celebrações festivas, sejam religiosas ou não (cf. v. Unger's Bible Dictionary, verbete "Lord's Supper").

Jesus e Sua Santa Mãe estavam em uma festa de casamento onde tradicionalmente o vinho servido aos convidados era alcoólico. Isso pode ser atestado pela declaração do mestre de cerimônia quando provou o vinho que Jesus fez: "É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom" (grifos meus) (cf. Jo 2,10). Ora, ele fala mais que claramente que "é costume servir primeiro o vinho bom"; vinho este que se não fosse fermentado não deixaria os convidados "quase embriagados".

Se o vinho que foi servido primeiramente aos convidados não fosse alcoólico, por que o mestre de cerimônia faria tal declaração? Ele se espanta exatamente porque o vinho melhor (o vinho resultado do milagre de Cristo), foi servido quando todos já estavam "quase embriagados", quando o costume era exatamente o contrário. Por isso ele depois de provar o vinho milagroso, se dirige a Jesus dizendo: "É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora" (Jo 2:10).

Isto nos remete a confirmar que o vinho que Cristo fez também era alcoólico, pois não faria nenhum sentido Ele utilizar um tipo de vinho diferente do que era comumente usado. Não só isso, mas com toda certeza, Cristo desejou o melhor para aquele casal, cujas bodas estavam sendo realizadas. E assim providenciou um vinho excelente, um vinho conforme àquele que era usado no templo em honra Dele, um vinho com álcool (cf. Num 28,7).

A primeira carta de São Paulo a Timóteo dá testemunho que o "oinos" usado entre os Judeus era alcoólico. A expressão "dado ao vinho" em 1 Tm 3,3 é a tradução da palavra grega "paroinos" cujo significado literal é "colocar-se ao lado do vinho", aludindo a prática de ficar bebendo o dia inteiro. São Paulo recomenda que quem for escolhido para tomar lugar no Ministério de Deus, não seja um beberrão, fazendo assim um uso não permitido do vinho. A passagem só faz sentido se o vinho for alcoólico. Ver também Tt 1,7.

Não só o presbítero deve consumir o vinho com sabedoria, mas também o leigo. Por isto o Apóstolo Paulo ensina aos Efésios: "Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus. Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5,17-18).

Na Carta aos Efésios, São Paulo pede que as pessoas não se embriaguem (cf. Ef. 5,18). Provavelmente ele estava ser referindo à celebração da "Ceia do Senhor", devido às recomendações que são dadas exatamente no versículo seguinte: "Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor" (cf. Ef. 5,19). Tal exortação não faria o menor sentido se o vinho usado nas celebrações cristãs não fosse alcoólico.

Os Cristãos até os tempos do Protestantismo histórico sempre celebraram a "Ceia do Senhor" com vinho alcoólico, costume herdado da era apostólica. Luteranos, Presbiterianos e Anglicanos até hoje utilizam vinho fermentado em suas celebrações.

Conclusão

Jesus condenou com veemência a prática de se anular a doutrina de Deus pela doutrina dos homens (cf. Mc 7,5-8).

Esta prática é conhecida como "cerca em torno da lei", isto é, substitui-se um ensinamento divino por um humano mais severo, que tem com objetivo evitar que as pessoas pequem. Um exemplo da instituição do homem em detrimento de uma divina, por parte dos Fariseus, é denunciada por Jesus em Mc 7,9-13.

Aqueles que adoram citar Mc 7,5-8 contra a Igreja Católica, além de não discernirem a diferença entre as Tradições que vem de Deus (com "T" maiúsculo, cuja observação é recomendada pelo Apóstolo Paulo em 2 Tes 2,15) e as tradições que vem dos homens (com "t" minúsculo), acabam tornando-se piores que os Fariseus, pelo fato de que estes nem sequer ousaram proibir o consumo de álcool ao povo.

A doutrina da proibição de consumo de bebidas alcoólicas não é divina, mas humana. São Paulo nos ensinou: "Estai de sobreaviso, para que ninguém vos engane com filosofias e vãos sofismas baseados nas tradições humanas, nos rudimentos do mundo, em vez de se apoiar em Cristo" (Col 2,8). Ainda sobre a pena de São Paulo aprendemos que "Para os puros todas as coisas são puras. Para os corruptos e descrentes nada é puro: até a sua mente e consciência são corrompidas" (Tito 1,15).

O consumo de bebidas alcoólicas não é proibido ao cristão, entretanto este deve sempre ter em mente estas duas regras: "No princípio o vinho foi criado para a alegria não para a embriaguez" (Eclo 31,35) e "O vinho, bebido em demasia, é a aflição da alma" (Eclo 31,39).

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eu já sabia: comercial de televisão 'antecipou' Alemanha x Inglaterra

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Em um comercial para televisão veiculado no fim de 2009, a operadora sul-africana de telecomunicações MTN, patrocinadora oficial da Copa do Mundo, antecipou que haveria o confronto entre Alemanha e Inglaterra, que será jogado no próximo domingo, pelas oitavas de final do Mundial da África do Sul. O curioso é que, como o vídeo foi postado no "Youtube" no início de novembro de 2009, o anúncio foi produzido antes mesmo do sorteio dos grupos, que permite fazer uma projeção dos confrontos da segunda fase da Copa.

No comercial, pai e filho ingleses devidamente uniformizados se preparam para deixar um hotel para ir ao estádio torcer pelo English Team. O pai sai cantando para o menino pelo corredor "Two world wars and one world cup, England, England..." (duas guerras mundiais e uma Copa do Mundo, Inglaterra, Inglaterra). Só que ao abrir o elevador, os dois encontram sete mal-encarados torcedores alemães.

Arqueólogos acham pinturas mais antigas dos apóstolos de Jesus, em Roma


Arqueólogos e restauradores de arte usando nova tecnologia a laser descobriram o que acreditam ser as pinturas mais antigas dos rostos dos apóstolos de Jesus Cristo.

As imagens encontradas em um ramal das catacumbas de Santa Tecla, perto da Basílica de São Pedro, do lado de fora das muralhas da Roma antiga, foram pintadas no fim do século 4 ou início do século 5.

Arqueólogos acreditam que essas imagens podem estar entre as que mais influenciaram os retratos feitos por artistas posteriores dos mais importantes entre os primeiros seguidores de Cristo.

"São as primeiras imagens que conhecemos dos rostos desses quatro apóstolos", disse o professor Fabrizio Bisconti, diretor de arqueologia das catacumbas de Roma, que pertencem ao Vaticano e são administradas por ele.

Os afrescos eram conhecidos, mas seus detalhes vieram à tona durante um projeto de restauração iniciado dois anos atrás e cujos resultados foram anunciados nesta terça-feira em coletiva de imprensa.

Os ícones de rosto inteiro incluem as faces de São Pedro, Santo André e São João, que fizeram parte dos 12 apóstolos originais de Jesus, e São Paulo, que se tornou apóstolo após a morte de Cristo.

As pinturas possuem as mesmas características de imagens posteriores, como a testa enrugada e alongada, a cabeça calva e a barbicha pontuda de São Paulo, o que indica que podem ter sido as imagens nas quais os retratos posteriores se basearam.

Os quatro círculos, com cerca de 50 centímetros de diâmetro, estão no teto do local do sepultamento subterrâneo de uma mulher nobre que se acredita que tenha se convertido ao cristianismo no fim do mesmo século em que o imperador Constantino legalizou a religião.

Bisconti explicou que as pinturas mais antigas dos apóstolos os mostram em grupo, com rostos menores cujos detalhes são difíceis de distinguir.

"Trata-se de uma descoberta muito importante na história das comunidades cristãs primitivas de Roma", disse Bisconti.

Os afrescos dentro do túmulo, medindo cerca de 2 metros por 2 metros, estavam recobertos de uma pátina espessa de carbonato de cálcio pulverizado, provocada pela umidade extrema e a ausência de circulação de ar.

"Fizemos análises extensas e demoradas antes de decidir qual técnica empregar", disse Barbara Mazzei, que chefiou o projeto. Ela explicou como usou um laser como "bisturi ótico" para fazer o carbonato de cálcio cair sem prejudicar a tinta.

"O laser criou uma espécie de miniexplosão de vapor quando interagiu com o carbonato de cálcio, levando este a se destacar da superfície."

O resultado foi a clareza espantosa das imagens, antes opacas e sem nitidez.

As rugas na testa de São Paulo, por exemplo, estão nítidas, e a brancura da barba de São Pedro ressurgiu.

"Foi uma descoberta de forte impacto emocional", disse Mazzei.Outras cenas da Bíblia, como a de Jesus convocando Lázaro a levantar-se dos mortos ou Abraão preparando-se para sacrificar seu filho, Isaac, também ficaram muito mais claras e nítidas.

"No que diz respeito a pinturas no interior de catacumbas, estamos acostumados a ver pinturas muito pálidas, geralmente brancas, com poucas cores. No caso das catacumbas de Santa Tecla, a grande surpresa foram as cores extraordinárias. Quanto mais avançamos, mais surpresas encontramos", disse Mazzei.

Situado num labirinto de catacumbas sob um prédio moderno, o túmulo ainda não está aberto ao público devido às obras que continuam, à dificuldade de acesso e ao espaço limitado. Bisconti disse que as novas descobertas serão abertas apenas à visitação de especialistas, por enquanto (por Philip Pullella).

Fonte - http://www.radioitaliana.com.br/content/view/4351/37/

O senhor dos anéis - A sociedade da vuvuzela

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Tem algo mais chato que assistir o jogo ouvindo essas vuvuzelas ? Meus Deus... ainda bem que o campeonato brasileiro não tem este barulho chato.

Metade


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"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor.
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também."
Oswaldo Montenegro