quinta-feira, 24 de junho de 2010

Fé e Razão


Gostei bastante do do trecho do livro que estou lendo Os irmãos Karamazov, de Dostoiewsky. Me faz lembrar de uns dos debates que mais gosto de estudar sobre fé e razão, achei coveniente compartilhar com vocês.


Milagres nunca farão tergiversar um realista. Não são eles que levam a fé. O verdadeiro realista se não for religioso, encontrara sempre dentro de si a vontade e os argumentos bastantes para aceitar o milagre, mesmo que esse se levantar diante dele como um fato indiscutível , será mais fácil admitir uma ilusão dos sentidos, do que a existência desse fato. E se, entretanto chegar a aceitá-lo, dirá que se trata de um fenômeno muito natural, que ele muito simplesmente desconhecia. No realista, a fé não é uma conseqüência do milagre, mas sim o milagre é uma conseqüência da fé. Se um realista chegar a ponto de crer, o seu próprio realismo, o seu próprio realismo deve fazer-lhe aceitar o milagre. O apóstolo S. Tomé declarou que só acreditaria depois de ter visto. Quando viu, exclamou: “Meu senhor é meu Deus!” Seria o milagre que o obrigou a crer? ... O mais provável é pela negativa. Adquiriu essa fé por que a desejava, e é possível que lá bem no íntimo já fosse um crente, mesmo quando afirmou: “Não acredito, enquanto não vir”.

Bispos dão palpite para jogo entre Brasil e Portugal



Os bispos também fazem parte da lista de milhares de torcedores que sofrem e se alegram mundo afora com a Copa do Mundo de Futebol, na África.

Nesta sexta-feira, 24, às 11h (horário de Brasília), o Brasil vai enfrentar a seleção de Portugal que vem embalada por uma goleada de 7 a 0 sobre a Coreia do Norte, na última segunda-feira, 21.

Na cúpula da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) as opiniões se dividem. O presidente, Dom Geraldo Lyrio Rocha, aposta num placar de 2 a 1 para o Brasil.

O vice-presidente, Dom Luiz Soares Vieira, espera uma goleada brasileira de 3 a 0. "O Brasil vai ganhar, sim. Não somos mais colônia de Portugal", brinca.

Já o secretário-geral, Dom Dimas Lara Barbosa, evita dar palpites. "Vamos ver se o 'hexa' chega. Dizem que o importante é competir, mas que a gente torce para ganhar, isso não tem dúvida".

O cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, também prefere não arriscar um placar. "Espero que dê um bom exemplo de jogo bonito, limpo, respeitoso do adversário e de esportividade".

O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), Dom Raymundo Damasceno Assis, está confiante, mas espera um jogo equilibrado. Diz que o Brasil vai vencer com um placar de 3 a 2.

Para o bispo de Jales (SP), Dom Demétrio Valentini, vai haver empate de 2 a 2. "É importante constatar que é a única partida em que o Brasil pode perder. Uma derrota pode até favorecer o confronto seguinte. Mas como ninguém gosta de perder, e para ambos se classificarem, fica de bom tamanho um empate".

O jogo entre Brasil e Portugal vai definir o 1º colocado no grupo G, que também inclui Coreia do Norte e Costa do Marfim.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Psicanálise e religião.É possível conciliar?

Entrevista ao Dr. William Castilho Pereira, psicólogo e professor

De que forma a abordagem psicanalítica pode contribuir para aprimorar o relacionamento do homem com Deus?

A esta questão responde o psicólogo e também professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Dr. William César Castilho Pereira, que há mais de 25 anos trabalha como docente e palestrante em institutos religiosos em todo o Brasil.

Psicanálise e Religião. É possível este casamento?

Sim. E como todo bom casamento, é preciso preservar a singularidade de cada uma das partes. Porque todo casamento não significa fusão, e um casamento que se constitui como fusão, uma unicidade total, é terrível. É muito interessante demarcar os lugares e as posições destas partes. A religião é um campo em que o sujeito livremente tem uma relação com Deus, então o estudo da religião é exatamente entorno desta figura de Deus, desta figura do crente e desta relação que é muito ligada à questão da fé.

A psicanálise não tem nenhuma obrigação de entrar no campo da fé, não é seu objeto de estudo. Ela pode e até deve contribuir para analisar qual é a qualidade da relação deste sujeito com Deus. Esta relação pode ser saudável de forma a contribuir para que esta pessoa se estruture melhor psiquicamente, socialmente. Essa relação pode ser uma relação marcada muito mais pela história do sujeito, que poderá transferir elementos para esta relação com Deus. Por exemplo, se você tem aspectos na sua estrutura que não estão bem resolvidos com relação a seu pai, você pode transferir esta imagem de pai para Deus, então este pai pode ser um pai muito despótico, autoritário, perseguidor e altamente controlador, desta forma você poderá viver essa relação com esse Deus achando que tem uma relação profunda, religiosa. Mas na verdade o que está dominando aí é uma relação neurótica de competir, de estar duvidando, estar rivalizando com esse pai e sentindo muita culpa por causa disso, recalcando a sua agressividade.

É neste momento que a psicanálise ajudará a limpar, digamos assim, estas estruturas neuróticas que nós temos e que dificultam muito esse contato com Deus.

É possível percebermos este exemplo na vida dos místicos, eles fizeram uma caminhada muito parecida com a de quem procura a psicanálise ou algumas psicoterapias. As metáforas usadas por Santa Teresa, «As Sete Moradas», os passos que São João da Cruz dava naquele grande período de sofrimento quando passou nove meses em uma cela, a experiência de Santo Inácio nos exercícios espirituais. Se pensarmos bem, são dispositivos que acharam para se encontrar humanamente primeiro, para depois, subsequentemente, com Deus. Conheceram-se muito fortemente.

Deus é silêncio. É inefável, os místicos falam isso muito bem depois de uma certa etapa. O que você tem a dizer sobre Deus? Nada. É o nada. Essa experiência é muito interessante, pois mostra que esse processo deve ser feito por todas as pessoas. E geralmente é o contrário. Nos relacionamentos com Deus pedindo casa própria, pedindo outro corpo, pedindo curas, milagres, é uma coisa muito paternal e muito filial e que tem pouco silêncio, pouca interioridade, pouco vazio. É tudo muito cheio, pleno demais, nossas orações são muito carregadas de um preenchimento irrisório que não leva a nada.

Poderíamos dizer que a psicanálise neste sentido poderia ser funcionar como um instrumento a mais para a purificação de nossa fé?

Sem dúvida. A psicanálise pode ajudar muito uma pessoa a se encontrar mais fortemente com Deus. Recordo-me do livro do jesuíta Carlos Morano, «Crer depois de Freud». Quer dizer, logo Freud que foi considerado um grande ateu, um grande perseguidor da religião, uma pessoa que desprezou todo este componente, é a partir de Freud que você pode chegar inclusive mais próximo de Deus. Por ironia do destino.

Você carrega em seu currículo uma longa experiência de trabalho como psicólogo em institutos religiosos, seja como docente, palestrante ou como clínico. Fale-nos sobre esta experiência?

Devo marcar que sou um docente. Enquanto professor em institutos de filosofia e teologia, dediquei mais de 25 anos ministrando matérias relacionadas à psicanálise e à religião, estive próximo de formandos e formadores discutindo textos da psicanálise que poderiam contribuir com a formação religiosa. Isso envolveu pesquisas, escritas, elaboração de textos e reflexões de autores ligados à psicanálise e à religião.

Outra área é a área clínica, uma parte boa da minha clientela são religiosos, religiosas e presbíteros. Desta forma, a clínica em meu consultório tem contribuído muito para que eu estude mais, compreenda mais, a subjetividade de quem está lidando mais diretamente com Deus, o profissional do sagrado, padres e freiras. E ao mesmo tempo, entendendo as dificuldades pessoais que estas pessoas têm no exercício do próprio magistério.

A terceira área que eu trabalho é com a análise institucional. Esta é um procedimento metodológico conceitual e prático que leva grupos de religiosos ou mesmo padres presbíteros a fazerem uma análise do local onde vivem: a província, a casa de formação.

É possível fazer um diagnóstico geral sobre as maiores dificuldades enfrentadas por estas instituições?

Eu diria que o drama do religioso é o drama humano, você encontra isso perfeitamente igual na sociedade civil, laica, nas famílias, em outras instituições, coincidentemente tem algumas coisas metafóricas muito interessantes. Quando a Igreja instituiu os votos de pobreza, obediência e castidade, estes três votos representam um tripé fundamental na vida de um sujeito, as relações de poder e de saber, a questão do dinheiro e a questão da sexualidade, afetividade.

Em síntese, esse tripé quase que resume toda nossa problemática enquanto humanos. É possível ver esses três elementos como grande perfil dessa problemática em qualquer lugar. O importante é como lidar com isso e está cada vez mais claro que é preciso reprimir e recalcar o menos possível, dar lugar à fala, viver de forma transparente, aberta. Isso facilita muito. Não resolve, mas facilita. Basicamente a análise institucional é abrir a possibilidade para que estes analisadores: poder, dinheiro, sexualidade, espiritualidade, carisma, o corpo, possam ter espaço para ser falado, analisado, e reestruturado melhor no momento histórico que se está vivendo.

TVs Canção Nova e Aparecida promovem debate entre presidenciáveis


As TV´s Canção Nova e Aparecida vão realizar um debate entre os candidatos a Presidência da República. Essa será a primeira vez, na história das emissoras católicas, que os presidenciáveis vão falar de seus planos de governo, ao vivo para todo o território brasileiro.
O debate será na capital paulista no dia 23 de agosto. A proposta para a realização do debate entre supostos presidenciáveis foi definida na tarde desta terça-feira, 22, no escritório de relações públicas da Canção Nova, em São Paulo.

Participaram da reunião os representantes das duas emissoras católicas e os assessores dos cinco candidatos a presidência que já confirmaram presença.

O público religioso irá acompanhar um debate diferenciado, que tem por finalidade oferecer uma discussão ampla sobre as ideias de governo que auxiliam na escolha dos eleitores.

A proposta é deixar o telespectador mais bem informado, por meio de uma discussão sempre voltada para a educação.

Fonte: Canção nova notícias

terça-feira, 22 de junho de 2010

Bento XVI e a Copa do Mundo: saiba o que o Papa pensa sobre futebol




As estratégias dos jogadores nos gramados também chamam a atenção de Bento XVI.

Em 1985, quando ainda era Arcebispo de München, o então Cardeal Joseph Ratzinger escreveu o artigo O jogo e a vida: sobre o Campeonato Mundial de Futebol.

No texto, Ratzinger dedicou-se a identificar quais as motivações que levavam o esporte a atrair centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. "O que demonstra que, através dele, toca-se algo radicalmente humano, e cabe se perguntar onde encontra-se o fundamento deste poder em jogo", indicou.

Ratzinger debruça-se na busca por esse fundamento e nega-se a aceitar a visão pessimista - julgando-a ineficiente - que, a partir de uma comparação com a Roma Antiga, acredita que os jogos seriam o conteúdo de uma sociedade decadente que já não conhece objetivos mais elevados.

A óptica proposta pelo atual Papa Bento XVI é bem mais positiva e compara o jogo a uma "espécie de tentativa de retornar ao paraíso: sair da escravizante seriedade da vida cotidiana e de seus cuidados para a seriedade livre do que não necessariamente tem que ser e que, justamente por isso, é bonito. Frente a isso, o jogo transcende, em certo sentido, a vida cotidiana", escreve.

Além disso, Ratzinger defende que o jogo exerce, especialmente sobre a criança, o caráter de preparação para a vida, simbolizando-a e conduzindo-a de forma plasmada com liberdade.

"Na minha opinião, o fascínio do futebol encontra suas raízes no fato de que reúne esses dois aspectos de forma muito convincente. Obriga o homem, acima de tudo, a se disciplinar, de modo que, pela formação, adquira a disposição sobre si mesmo, por tal disposição a superioridade e, pela superioridade, a liberdade. Mas, depois, lhe ensina também a cooperação disciplinada: como jogo em equipe, o futebol obriga a um ordenamento de si mesmo dentro do conjunto. Une através do objetivo comum; o êxito e o fracasso de cada um estão cifrados no êxito e fracasso de todos".

O atual Papa também ressalta que o futebol ensina um confronto limpo, "em que a regra comum a que o jogo se submete segue sendo o que une e vincula mesmo na posição de adversários [...]. Na qualidade de espectadores, os homens identificam-se com o jogo e com os jogadores e, desse modo, participam da comunidade da própria equipe, do confronto com o outro, bem como da seriedade e da liberdade do jogo: os jogadores passam a ser símbolos da própria vida. Isso também atua retroativamente sobre eles: sabem, com efeito, que as pessoas se veem representadas e confirmadas a si mesmas neles", explica.

Por fim, o então Cardeal alerta que tudo isso pode ser pervertido por um espírito comercial que submete tudo ao dinheiro, fazendo com que o jogo se transforme "em uma indústria que suscita um mundo de aparência de dimensões horrorosas. Mas até esse mesmo mundo de aparência não poderia subsistir se não houvesse a base positiva por trás do jogo: o exercício preparatório para a vida e a transcendência da vida em direção ao paraíso perdido".

Ratzinger acredita que é possível aprender novamente sobre a vida a partir do jogo, em especial que não somente de pão vive o homem e, mais ainda, que "o mundo do pão é, em última análise, apenas a fase preliminar do que é propriamente humano, o mundo da liberdade. Mas a liberdade vive da regra, da disciplina que aprende o agir em conjunto e o correto confronto, o ser independente do êxito exterior e da arbitrariedade, e desse modo chega a ser verdadeiramente livre. O jogo, uma vida: se aprofundamos, o fenômeno de um mundo entusiasmado pelo futebol pode nos oferecer mais que um mero entretenimento".

FONTE: CANÇÃO NOVA

Futebol tem enorme potencial evangelizador, afirma Bispo.


Em uma entrevista dada a conhecer pela Conferência Episcopal do Chile o Bispo Auxiliar de Santiago, Dom Cristián Contreras Villarroel, assinalou que “na grande maioria de jogadores de futebol encontramos expressões de religiosidade” que constituem “um potencial evangelizador enorme”.

Antes do encontro no qual o Chile derrotou a Honduras pela mínima diferença, o Prelado assinalou que os jogadores “entram no campo de esportes fazendo o sinal da cruz. Fazem um gol e o dedicam ao céu com o sinal da cruz. Nesses gestos há um potencial evangelizador enorme. Pergunto-me como podemos acompanhar os jovens jogadores de futebol”.

“Poder-se-ia estabelecer um serviço a eles desde alguma de nossas Vicarias e com as direções dos clubes. Algo poderíamos oferecer a respeito, uma pastoral do esporte. Acredito que há pessoas como o grande tenista Jaime Fillol, (o ex- jogador de futebol) Arturo Salah e tantos outros que poderiam ajudar-nos neste serviço”, acrescentou.

Do mesmo modo, Dom Contreras recordou que “o esporte e o futebol em particular fazem um bem enorme ao desenvolvimento integral das pessoas” por isso “todo seminarista e sacerdote deve praticar algum esporte, embora seja a bicicleta estática, como é meu caso atual”.

Seguidamente, o Prelado se referiu ao tema das torcidas e assinalou que este é um “fenômeno ao que não devemos tirar relevância e que deve ser abordado desde várias perspectivas: a exclusão social, a necessidade de ter referências associativas e que lhes proporcionem identidade aos jovens, a violência física entre elas e também a violência verbal para os jogadores”.

Ao ser perguntado sobre o Mundial África do Sul 2010 no qual participa a seleção de seu país, o Bispo Auxiliar de Santiago assinalou que é um bem “ver tantas seleções procurando sua classificação à outra fase e a alegria das pessoas”.

ACI

Rooney: "Poderia ter sido sarcedote"




Um funcionário da Associação de Futebol da Inglaterra calou o dianteiro Wayne Rooney, estrela da equipe britânica que participa do Mundial África do Sul 2010, quando estava sendo entrevistado sobre sua fé católica.

Nos últimos dias, Rooney foi fotografado exibindo um terço durante os treinamentos de sua equipe e em uma roda de imprensa, um jornalista perguntou por que razão o exibia.

Rooney, de origem irlandesa, respondeu: “Eu o uso há quatro anos e vocês não vêem os treinamentos. Obviamente não o posso usar durante os jogos. É minha religião”.

Quando os jornalistas se dispunham a fazer-lhe outra pergunta sobre seu credo, o chefe de relações públicas da AF, Mark Whittle, interrompeu Rooney dizendo “Nós não falamos sobre religião”.

Conforme informou esta semana a publicação inglesa The Sunday Times, há algum tempo atrás o jogador de futebol –conhecido por sua postura séria e jogo forte– revelou durante a gravação de uma série de televisão que “poderia ter sido sacerdote” porque desfrutou muito de sua educação religiosa que recebeu quando menino.

O jornal entrevistou ao sacerdote Edward Quinn sobre o terço de Rooney. Este foi seu pároco em Croxteth, Liverpool, e presidiu seu matrimônio há dois anos.

O Padre Quinn acredita que o terço é um presente de sua esposa, pois ambos provêm de famílias com uma forte fé católica.

“Quando presidi seu matrimônio na Itália, todos os convidados receberam de presente um terço, pois é claro que o terço significa muito para eles”, indicou o Pe. Quinn.